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BH ganha mapa colaborativo com rota com mais de 70 locais de protagonismo negro

Idealizado pelo Agendão Preto, Mapa BH Rotas Negras reúne, em único guia, mais de 50 locais de cultura negra na capital

Em comemoração ao Novembro Negro, lugares que demarcam o protagonismo e a resistência negra na capital são organizados em mapa colaborativo, o BH Rotas Negras. Idealizado por Mariana Cordeiro, o mapa reúne bares, restaurantes, espaços em que o samba e diversas manifestações culturais seguem vivas, além dos museus, teatros e espaços culturais e até obras de arte a céu aberto, como monumentos, marcos e estátuas. Já são mais de 70 locais catalogados, divididos em cinco categorias: Gastronomia; Arte fora do Museu; Pontos de Cultura; Samba e Casas de Show; e Teatros e Museus.

Ninguém tem dúvida de que Belo Horizonte é uma cidade encantadora. Eleita pela Unesco em 2019 como Cidade Criativa da Gastronomia, a capital mineira une boa comida ao tão celebrado acolhimento mineiro, ao intenso circuito de festas, festivais, artes e mercados, tornando-se um destino cada vez mais atrativo no Brasil e no mundo. Segundo a Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), durante o carnaval, a cidade é o quinto destino mais procurado por estrangeiros.

Afrotrekking e Guia Negro, iniciativas atentas ao turismo comprometido com as contranarrativas da construção da cidade, promovem passeios turísticos sob a perspectiva afro-brasileira, percorrendo os principais marcos históricos, apontando as contradições e destacando o protagonismo negro: a Praça da Liberdade, com seus prédios imponentes que abrigam o circuito de museus mais famosos da cidade, em nada conta a história de despejo da senhora negra Maria do Arraial e sua família para construção do Palácio da Liberdade e prédios sede da administração pública; ou o Largo do Rosário, no cruzamento da Timbiras com Rua da Bahia, que a cidade tentou apagar. No lugar existiu a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, cemitério e a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Arraial do Curral del-Rei. Mas há também monumentos, como as estátuas de Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez, no Parque Municipal, idealizadas pela pesquisadora Etiene Martins, que aponta um processo de lutas do Movimento Negro em resistir aos apagamentos e celebrar a existência negra no país. 

Em contribuição ao movimento negro, o mapa BH Rotas Negras foi criado a partir de lugares frequentados pela pesquisadora desde 2015, além de análises de guias, projetos e materiais feitos por outras iniciativas, como o Mapa dos Grafites em BH, realizado em 2019 pelo Estado de Minas, e o projeto Almanaque do Samba, idealizado por Zu Moreira, além de consultas a artistas, amigos e coletivos locais para a realização do projeto.

Mariana Cordeiro explica que o BH Rotas Negras é uma celebração dos muitos movimentos negros formados por empreendedores, artistas e suas obras, da culinária e da afromineiridade, que já discutem e reivindicam esta rota de pensamento que valoriza a cultura negra de BH formada por elementos da cultura africana, interiorana de Minas e de quilombos. “BH é nós! BH é também negra! Agora, com este mapa, mais pessoas vão poder saber para traçar suas próprias rotas na cidade. É uma contribuição ao turismo, à gastronomia e à cultura desta cidade querida, que recebe tantos turistas e que cada vez mais se discute a ocupação da própria população nas ruas”, afirma. 

O Mapa BH Rotas Negras é, por natureza, uma construção coletiva com elementos já mapeados anteriormente e também de novos cadastrados no Google Maps, como as obras de artistas negros que compõem muros e empenas, como Criola, Robinho Santana e Zé D Nilson. Os monumentos de Jorge dos Anjos, como a “Aya: Árvore da Vida pela vida”, localizada no CRJ, que celebra a juventude; o Monumento de 300 anos de Zumbi dos Palmares, na Avenida Brasil; e em outros artistas, lugares foram catalogados na plataforma. Na parte gastronômica, uma das referências foi o Mapa Gastronômico do Festival de Arte Negra de BH de 2023, sob curadoria de Ana Gomes. Já O livro BH Anos 10, do jornalista e pesquisador urbano Artênius Daniel, também forneceu elementos para a construção da cartografia negra na paisagem da cidade.

O projeto Mapa BH Rotas Negras, para além de colaborar para o registro histórico e para a reflexão sobre o apagamento, busca atrair o olhar para as mãos negras que constroem a cultura da cidade, possibilitando assim nomear — com nome e sobrenome — as pessoas que, seja comandando uma cozinha, assinando uma obra de arte ou ressignificando histórias e negando o apagamento negro, constroem a BH vida, pulsante e diversa.BH Rotas Negras é um projeto em constante atualização, e quem desejar colaborar, basta enviar as sugestões de lugares para contato@agendaopreto.com.br ou pelas redes sociais: https://www.instagram.com/agendaopreto.

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