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9º Prêmio Leda Maria Martins: a encruzilhada entre intelectualidade e as artes cênicas negras

📅 02/12/2025
18:30
💸 gratuito
📍 Conservatório de Música da UFMG - Belo Horizonte

O Prêmio leva em seu nome a genialidade da dramaturga e intelectual Leda Maria Martins e o conceito de Tempo Espiralar criado por ela para propor outras temporalidades — distintas da lógica cronológica tradicional que privilegia estreias recentes. Realizado anualmente desde 2017, nasce do artivismo de Denilson Tourinho para celebrar as artes cênicas negras. “A possibilidade de celebrar espetáculos de uma temporalidade mais distante é algo disruptivo, é necessário. Este ano nós temos espetáculos que estrearam, por exemplo, em 2005 e 2010”, reflete Tourino.

A relação com o presente e o passado emerge nesta edição com tema Ritualidade, Espiritualidade e Sacralidade na Cena. A homenagem à Onisajé, diretora teatral, roteirista e doutora em Artes Cênicas, evidencia o Prêmio Leda Maria Martins como espaço para a intelectualidade da academia e a produção artística de maneira indissociável. O tema dialoga com sua tese “Teatro Preto de Candomblé: uma construção ético-poética de encenação e atuação negras” inspirando reflexões sobre o que as artes cênicas negras têm produzido no campo das expressões sagradas afro-brasileiras.

O prêmio se consolida, em quase uma década, como afirmação de existência diante de sucessivos episódios de invisibilização das artes cênicas negras. O contexto que antecede sua criação é marcado por apagamentos expressivos, como o ocorrido no FIT em 2016, que motivou protestos, e o caso de blackface no espetáculo Os Fofos, no Itaú Cultural, em 2015.

“O histórico de invisibilidade e apagamento da trajetória cênica negra, gerou um marco expressivo para as artes cênicas negras em BH em 2017 com a criação da Segunda Preta, Fórum Aquilombô e o Prêmio Leda Martins. Foi um grito de existência, de elaboração, de edificação de novos quilombos, de celebração e de festa. O Prêmio Leda vem deste lugar de resistência à festa”, afirma.

Escavando memórias negras

Com curadoria constante em um movimento espiralar, o projeto fez um levantamento e catalogação em torno de 500 produções cênicas negras que datam desde 1963 disponível em https://premioledamariamartins.com/. Este movimento “vai traçando caminhos, ditando panoramas em uma viagem do tempo que indicam o futuro e apontam as temáticas das novas edições do Prêmio”, explica Tourino. 

O Prêmio Leda se aprimora nas parcerias ao longo dos anos e tem em sua criação, referências em movimentos como o projeto Cidan – Centro de Informação do Artista Negro de Zezé Motta, e também a dissertação de mestrado do Evandro Passos, que foi fundamental para articular registros e fotos, datas de estreia e ficha técnica de espetáculos. 

“É um trabalho arqueológico, a gente vai cavando dados e rastros e nesta perspectiva para que possa ser catalogado, sistematizado para que a partir de análise, de percepção fazer uma leitura destas obras de tempos tão diferentes”, finaliza.

Premiação

A 9ª edição do Prêmio Leda Maria Martins acontece no dia 2 de dezembro, terça-feira, às 18h30, no Conservatório de Música da UFMG. BH/MG, em parceria com o Seminário Leda Maria Martins (UnB/CNPq).

Com curadoria e júri da pesquisadora e professora da UFBA Alexandra Dumas; do doutorando em educação pela UFMG Denilson Tourinho; do pesquisador e dourorando em Letras, pela mesma instituição, Guilherme Diniz; Marcos Alexandre, pesquisador em teatro negro e professor da Faculdade de Letras da UFMG, e Soraya Martins, pesquisadora de teatralidades e aquilombamentos e professora da UFPR. 

Sob o tema “A Ritualidade, Espiritualidade e Sacralidade na Cena”, serão premiadas nas categorias direção, infantojuvenil, dança, texto e trilha sonora, performance, atuação, cenário, figurino e luz; espetáculo de longa duração; personalidade, homenagem e revelação; e artes integradas, os espetáculos:

ENCRUZILHADA – direção: “Candomblé da Barroquinha” – 2025 ­(Salvador/BA)

MURIQUINHO – infantojuvenil: “O Menino Omolu” – 2020 ­(RJ/RJ)

ORALITURA – texto – trilha sonora: “MUKUVU – uma festa para engravidar corações” – 2025 ­(SP/SP)

CORPO ADEREÇO – dança: “Ancestralidade em Movimento” – 2024 ­(Salvador/BA)

PERFORMANCE DO TEMPO ESPIRALAR – performance: “Malungo: rito para uma missa preta” – 2016 ­(Brasília/DF)

LUGAR DA MEMÓRIA – cena curta: “Um Exu em Nova York” – 2024 ­(BH/MG)

AFROGRAFIA – Área: atuação: “Ombela” – 2014 ­(Recife/PE)

CENA EM SOMBRAS – cenário – figurino – luz: “Hamlet Sincrético” – 2005 ­(Porto Alegre/RS)

PALCO EM NEGRO – espetáculo longa duração: “Bença” – 2010 ­(Salvador/BA)

ANCESTRALIDADE – personalidade – homenagem – revelação: “IPÒRÌ – primeiro ato” – 2018 ­(Serra do Gandarela/MG – Floresta de Osun/Nigéria)

CORPO-TELA – artes integradas: “Arqueologias do Futuro” – 2023 ­(RJ/RJ)

Conservatório de Música da UFMG

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