Pular para o conteúdo principal

Agendão Preto | Sua Agenda Cultural Preta de BH

“Beagá de Cima” propõe novo olhar sobre a cidade e marca o retorno de Cadu Passos às exposições individuais

Após cerca de dez anos sem realizar uma mostra solo, Cadu Passos apresenta Beagá de Cima, exposição que reúne dez fotografias aéreas de Belo Horizonte produzidas com drone. Impressas em formato A3 sobre papel silk, as obras revelam perspectivas pouco usuais da capital mineira e convidam o público a redescobrir a cidade.

O uso do drone, inicialmente motivado por uma necessidade profissional, transformou-se em uma pesquisa recorrente, desenvolvida em viagens pelo interior de Minas Gerais e por outras regiões do país. Embora o ponto de partida da exposição seja o olhar do alto, a relação do fotógrafo com a imagem permanece ligada à rua. Sua trajetória começou em meio à cultura urbana, ao hip-hop e às manifestações políticas, experiências que moldaram seu modo de observar Belo Horizonte.

Entre as obras está uma vista do Conjunto Habitacional IAPI, no bairro São Cristóvão, onde o artista mora. Tombado como patrimônio cultural, o conjunto surge sob um ângulo capaz de revelar aspectos muitas vezes despercebidos no cotidiano. A Praça da Estação também integra a mostra. Uma das fotografias nasceu da lembrança de uma imagem feita após a reabertura do chafariz do local, levando o artista a investigar novos enquadramentos tanto a partir do drone quanto do olhar de quem ocupa a praça.

Realizada no restaurante Feijão, no Edifício Maletta, a exposição nasce do desejo de retirar as imagens do fluxo das redes sociais e fazê-las habitar um espaço de encontros, onde arte e gastronomia se cruzam no cotidiano da cidade.

Entrevista com o artista

AP: Em um dos textos você diz que está olhando a cidade de cima, mas que seus pés continuam no chão. Que chão é esse?

CP: É a rua. Minha trajetória na fotografia vem da minha vivência com a contemporaneidade, na rua mesmo. Desde muito cedo, tudo o que vem da rua, que pode ser criado em periferia, tudo isso me atraiu. Na minha trajetória, esbarrei na cultura de rua, tanto no hip-hop quanto em manifestações políticas, e foi onde comecei minha carreira fotográfica. É onde eu estou mais feliz na fotografia, apesar de fazer muitas outras coisas, principalmente fotojornalismo e hoje trabalhar na institucionalidade.

AP: O que você quer mostrar com essa exposição?

CP: Acho que é possível conseguir ver a cidade com olhos melhores. Uma das fotos que estão lá é daqui do IAPI, onde eu moro. O lugar é conhecido por muita gente por causa da situação de rua e dos usuários de crack. Um dos comentários que recebi foi que parecia outro lugar, que nem parecia ser ali. Acho que a fotografia tem esse poder. Quando você se destaca e olha de cima, consegue ver outra coisa além do que está vendo no dia a dia. Não é romantizar, mas trazer um olhar para a cidade além dos pontos turísticos tradicionais.

AP: Por que realizar a exposição no Feijão?

CP: Conheço a Fernanda há cerca de 20 anos. Já tinha um tempo que eu estava tentando colocar alguma coisa no mundo. Eu me desafiei porque sentia falta de algo para além de postar no Instagram. As coisas se perdem, são mal entregues, dependem de algoritmo. Eu queria publicar alguma coisa. Já fazia tempo que eu pensava em uma exposição ou até em um fotolivro. A Fernanda tem aquele espaço onde rotaciona artistas em exposições de cerca de 30 dias. Já estávamos tentando alinhar datas há algum tempo, conciliando a minha agenda com a agenda do Feijão. Resolvi fazer ali porque é um lugar de grande circulação. Também acho que, se não for para ser visto, não tem por que fazer.

Serviço

 Beagá de Cima – Cadu Passos
Feijão – Edifício Maletta
Rua da Bahia, 1148, sobreloja 14, Centro – Belo Horizonte
Visitação até 18 de julho de 2026

Funcionamento:

Segunda a quinta, das 11h às 14h30

Sexta e sábado, das 11h às 23h
Entrada gratuita

Compartilhe: