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Projeto “Vidas Negras em Cordel” fortalece literatura de cordel e contação de histórias afrocentradas em Belo Horizonte

Formação gratuita realizada pelo Ponto de Cultura Coletivo Iabás promove oficinas de contação de histórias, escrita poética de cordel e xilogravura; programação começa nesta quinta-feira (6), no Mercado da Lagoinha

Estão abertas as inscrições para a formação “Vidas Negras em Cordel”, realizada pelo Ponto de Cultura Coletivo Iabás, em Belo Horizonte. A iniciativa busca fortalecer a literatura de cordel, manifestação artística e gênero literário popular brasileiro, ao mesmo tempo em que valoriza a contação de histórias afrocentradas e as narrativas negras.

A primeira atividade acontece nesta quinta-feira, 6 de agosto, das 15h às 18h, no Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira, localizado no Mercado da Lagoinha. A formação será composta por três oficinas integradas: contação de histórias (06/08), escrita poética do cordel (11/08) e xilogravura (18/08), além de um encontro final no dia 20 de agosto.

Podem participar pessoas a partir de 16 anos. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o início da formação através do formulário online.

O projeto também terá turmas no Centro Cultural do Bairro das Indústrias e no Centro Cultural Urucuia, ambos no Barreiro, e na Arena da Cultura Nufac-FMC, localizada na Avenida dos Andradas, na região Central de Belo Horizonte. As datas das próximas turmas serão divulgadas posteriormente. Ao final de cada ciclo, será realizado um sarau de cordel como celebração do processo formativo.

A programação inclui ainda uma exposição de rabecas e matrizes originais de impressão de xilogravuras de cordéis clássicos, pertencentes ao acervo do Mestre de Cultura Popular, cordelista e rabequeiro Olegário Alfredo, conhecido como Mestre Gaio.

“Este projeto olha para a história da nossa caminhada. Trazemos o que nos impulsiona e o que nos uniu: a contação de histórias afrocentradas feitas por pessoas negras, despertando histórias que foram intencionalmente esquecidas; a literatura de cordel e tudo o que está agregado, como a escrita poética e a arte da xilogravura”, explica Madu Costa, arte-educadora, escritora, narradora de histórias e cordelista.

Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, “Vidas Negras em Cordel” propõe uma ação artística e formativa que utiliza o cordel como ferramenta de criação, memória e valorização das narrativas negras. Por meio das oficinas, os participantes serão convidados a reconhecer, registrar e ressignificar vivências da diáspora negra, reunindo tradição oral, poesia e artes visuais.

Para Magna Oliveira, contadora de histórias, educadora antirracista e mestra em Educação, a formação busca ampliar o acesso a essas linguagens culturais. “Queremos possibilitar uma experiência artística transversal, promovendo encontros multigeracionais, trocas e afetividades, além da escuta das histórias da cidade por meio das histórias dos participantes”, afirma.

Segundo Olegário Alfredo, o projeto nasce do encontro entre diferentes expressões da cultura popular. “O projeto coloca-se nesta encruzilhada para escolher o caminho dos encontros. Cordelar a partir das histórias negras. Afirmar a possibilidade e a necessidade de contar essas histórias a partir da literatura de cordel. Expandir a literatura através da escrita, da récita de cordel e da xilogravura”, destaca.

O Coletivo Iabás é um grupo de Belo Horizonte certificado como Ponto de Cultura que pesquisa e narra histórias relacionadas aos orixás femininos Iabás. Fundado em 2018 por três mulheres negras — Madu Costa, Magna Oliveira e Chica Reis —, o coletivo atua nas áreas de tradição oral, produção cultural, educação e patrimônio.

Ao longo de sua trajetória, o grupo desenvolve ações ligadas à literatura de cordel e à contação de histórias afrocentradas, ampliando o acesso às narrativas negras por meio da arte e da educação.

Para Chica Reis, coordenadora pedagógica do projeto, “Vidas Negras em Cordel” nasce do desejo de ampliar o acesso a linguagens fundamentais para a preservação da memória e das narrativas negras. “A pouca oferta de ações no universo da literatura de cordel e da contação de histórias afrocentradas nos levou a fortalecer e pensar iniciativas que possam chegar a mais pessoas. Por isso, criamos formações relacionadas a essas práticas culturais, possibilitando o contato com a riqueza histórica do cordel e com o universo da contação de histórias por meio de itans, lendas, contos e mitos”, afirma.

Conheça os professores

Madu Costa
Arte-educadora, pedagoga, escritora, narradora de histórias, cordelista, palestrante e formadora de professores. Vencedora de prêmios literários e educacionais, atua como curadora de festivais literários. Foi homenageada no Fliminas/2026 e semifinalista do Prêmio AEILIJ de Literatura Infantil/2026.

Magna Oliveira
Contadora de histórias, educadora antirracista e mestra em Educação. É embaixadora do Women’s Music Event (WME/SP) e produtora da rapper Sarah Sampp.

Olegário Alfredo (Mestre Gaio)
Poeta, escritor, haicaísta, contador de histórias, xilogravurista e cordelista. Nascido em Teófilo Otoni (MG), reside em Belo Horizonte desde 1969. Desenvolve trabalhos ligados à cultura popular brasileira, ministra oficinas de cordel e xilogravura e é autor de mais de 100 livretos de cordel e cordelivros.

Serviço

Formação “Vidas Negras em Cordel”
Data: 6 de agosto
Horário: 15h às 18h
Local: Centro Cultural Liberalino Alves de Oliveira — Mercado da Lagoinha
Av. Presidente Antônio Carlos, 821 – São Cristóvão, Belo Horizonte
Valor: Gratuito

Instagram: @coletivoiabas

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